FAFENCENA’16 – MALA DE CARTÃO

05

Num total e incondicional apoio à Seleção de todos os Portugueses, o FAFENCENA’16 prossegue o seu caminho na divulgação do que de melhor se faz em Portugal nas artes de Talma. Nesse sentido, no próximo sábado, 18-junho-2016, subirá ao palco do Teatro-Cinema de Fafe, pelas 22h00 (considerando já os trinta minutos de atraso em relação ao horário previsto, devido ao jogo do EURO2016), a NOVA COMÉDIA BRACARENSE para apresentar a sua produção “Mala de Cartão”, uma comédia para M/12, cuja sinopse apresentamos abaixo. Apareçam… A diversão está garantida.

"Mala de Cartão", uma comédia à prova de qualquer mau humor.

“Mala de Cartão”, uma comédia à prova de qualquer mau humor.

SINOPSE


O texto inédito Mala de Cartão levado à cena pela Nova Comédia Bracarense, da autoria de José Manuel Barros, é uma comédia de costumes à boa maneira do teatro camiliano, onde as relações familiares constituem o centro das atenções. A ação decorre nas terras do Minho por volta do ano de 1965, vivendo-se ainda por esse tempo a ditadura salazarista, já com Marcelo Caetano a comandar os destinos da Pátria. A história, que poderia resumir-se em duas linhas, coloca em destaque duas famílias distintas, ligadas socialmente por laços de serventia e poder: de um lado, uma família aristocrata, proprietária de bens e terras; do outro lado, a família de um fazendeiro, que se debate diariamente com dificuldades para arrancar da terra o sustento abençoado.

Vivendo-se numa época de grande austeridade, não admira que o português procure noutras paragens a riqueza que mingua no país. Assim, compreende-se, nesta comédia, escrita num só ato, que a emigração constitui, por um lado, uma solução face à miséria e à pobreza que afetavam o povo, mas também uma fuga para aqueles que o destino havia selado o seu futuro em terras de África, defendendo ideais patrióticos de uma política colonial portuguesa cada vez mais arruinada aos olhos da nação. Mala de Cartão é, desta forma, o passaporte do português emigrante que procura fugir de uma realidade marcadamente dura e penosa para se tornar cidadão do mundo.

Mas a peça não se esgota nesta condição, explora também as intrigas, os maldizeres, os mal-entendidos tão característicos de um meio rural pequeno, esgotado nas suas vivências mais mesquinhas, desde o casamento por conveniência, ainda que longe de se tornar uma realidade tangível, já que as vontades amorosas dos mais novos sobrepõem-se ao poder patriarcal. Ainda que uma pretensa união de António, filho do fazendeiro José Justino, com Luísa, filha do proprietário Alfredo Sousa e Valadares, possa trazer grandes benefícios para a família mais carenciada, a verdade é que o coração do mancebo acaba por se deixar conquistar pela rapariga mais popular da aldeia, facto que não deixa indiferente a Srª Ernestina que vê nessa união imoral uma afronta aos bons costumes, se considerarmos em conta que a sua filha tem dote e educação suficientes para enfrentar uma rival sem berço.

É sob este ambiente de confrontação e pudor social que Mala de Cartão se desenvolve em cena, procurando recriar quadros pitorescos, carregados de alguma comicidade e ironia, com o objetivo de provocar não só o riso no espectador, mas também transmitir algum realismo ao público expondo à vista de todos “vislumbres” do Portugal rural da década de 60.

Comments are closed.