História

GRUPO CULTURAL E RECREATIVO NUN’ÁLVARES

 

UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

NOTA: O texto que se segue foi recolhido no livro “RETRATOS DO TEMPO E DA MEMÓRIA”, de Alberto Alves, com algumas adaptações.

A FUNDAÇÃO – 1932

1 - Padre Domingos da Apresentação Fernandes

Padre Domingos da Apresentação Fernandes

2 - D. Maria Guimarães Vieira Campos Carvalho

D. Maria Guimarães Vieira Campos Carvalho

Fundado a 6 de Novembro de 1932, o Grupo Cultural e Recreativo Nun’Álvares teve como seu principal obreiro o padre Domingos da Apresentação Fernandes – então pároco de Fafe e mais tarde Bispo de Aveiro; nasceu sob a égide da Igreja Católica. E bem se percebe que assim fosse, pois na hora da sua formação recebeu o contributo de D. Maria Guimarães Vieira Campos de Carvalho (D. Maria do Comendador), uma senhora inteligente e culta que dedicou toda a sua vida às coisas da Igreja Católica quer como catequista, quer como membro activo na realização de obras de piedade.
O objectivo primeiro da criação de um Grupo como o Nun’Álvares era a ocupação dos jovens saídos da escola e da catequese, sensibilizando-os e motivando-os para actividades eclesiásticas e recreativas que ajudassem na sua formação pessoal.

Com isto, diziam os promotores da ideia, “tiravam-se os rapazes da rua” e proporcionava-se-lhes um crescimento assente em valores cívicos, éticos e morais.

Sentados (da esquerda para a direita): Avelino da Costa Novais, Narciso de Oliveira, Albino Teixeira Castro Guimarães, Félix Lopes, D. Domingos da Apresentação Fernandes, Padre Filipe, Manuel da Silva Gonçalves, Miguel Aguiar, Armindo Duarte Silva, Hugo Neto. No meio: José Novais, Artur Dias, Orlando Guimarães, Albertino Oliveira Bastos, Manuel Guedes, José da Silva, Luís Aguiar, Leopoldo Santos, Adelino Alves, Manuel Eugénio Guimarães, Amadeu Martins, Avelino Dias, Luís Ventura, João Aguiar. Em cima: Flávio Ventura, João Moreira, Amândio de Freitas, José da Silva, António Carvalho, Francisco Aguiar, João da Silva, Carlos Alberto Freitas, Tubal Costa, Augusto Lopes.

Sentados (da esquerda para a direita): Avelino da Costa Novais, Narciso de Oliveira, Albino Teixeira Castro
Guimarães, Félix Lopes, D. Domingos da Apresentação Fernandes, Padre Filipe, Manuel da Silva Gonçalves, Miguel Aguiar, Armindo Duarte Silva, Hugo Neto.
No meio: José Novais, Artur Dias, Orlando Guimarães, Albertino Oliveira Bastos, Manuel Guedes, José da Silva, Luís Aguiar, Leopoldo Santos, Adelino Alves, Manuel Eugénio Guimarães, Amadeu Martins, Avelino Dias, Luís Ventura, João Aguiar.
Em cima: Flávio Ventura, João Moreira, Amândio de Freitas, José da Silva, António Carvalho, Francisco Aguiar, João da Silva, Carlos Alberto Freitas, Tubal Costa, Augusto Lopes.

O Grupo era só aberto aos rapazes e desde logo foi adoptado como patrono D. Nuno Álvares Pereira (Santo Condestável), ídolo da juventude de então, que naquele ano ainda reflectia o efeito das grandiosas comemorações evocativas do quinto centená-rio do nascimento de D. Nuno que o Estado e a Igreja pomposamente levaram a efeito no ano anterior (1931).
Para além do padre Domingos da Apresentação Fernandes, do seu coadjutor, padre Filipe e de D. Maria do Comenda-dor, são tidos como fundadores Albino Teixeira de Castro Guimarães, António Ferreira, Armando Hugo Rodrigues Teixeira Neto, Francisco José de Oliveira Aguiar, Leopoldo da Fonseca Santos, Manuel Eugénio Teixeira de Castro Guimarães e Miguel Aguiar. A estes, outros se juntaram aderindo à iniciativa, sendo ainda hoje conhecidos mais de três dezenas de “rapazes” que pertenceram ao leque dos primeiros Nun’Alvaristas: Avelino Costa Novais, Narciso de Oliveira, Félix Lopes, Armindo Duarte Silva, Hugo Neto, José Novais, Artur Dias, Orlando Guimarães, Albertino Oliveira Bastos, Manuel Guedes, José da Silva, Luís Aguiar, Adelino Alves, Amadeu Martins, Avelino Dias, Luís Ventura, João Moreira, Amândio de Freitas, José da Silva, António Carvalho, Francisco Aguiar, João da Silva, Carlos Alberto de Freitas, Túbal Costa, Augusto Lopes, João Aguiar e Flávio Ventura.

Armando Cunha Vieira de Castro

Armando Cunha Vieira de Castro

Tiveram como primeiro Presidente Armando Cunha Vieira de Castro, seguindo-se-lhe o António Neves Cor-reia Gomes, Albino Teixeira Castro Guimarães, Miguel Aguiar e Manuel Gonçalves (“Nelo Chapeleiro”).
De acordo com testemunhos relatados por alguns fundadores, antes da formação do Grupo Nun’Álvares, o padre Domingos tentou levar os “rapazes” para a LOC (Liga Operária Católica) e como não acolheu aderên-cias para essa intenção, quis formar um núcleo de escuteiros, mas também sem sucesso.
Uma sala anexa à Igreja Matriz serviu como primeira sede social do Grupo. Depois, com a restauração da Matriz e a construção do salão paroquial, este serviu de sede social e, também, como espaço para o desen-volvimento de algumas actividades, sobretudo teatro.
O dinheiro para a construção deste salão resultou de peditórios feitos e, conforme o que foi relatado por fundadores, teve o precioso contributo dos Nun’Alvaristas na angariação de fundos através de peditórios e cantando os “Reis” e da família Summavielle que forneceu a pedra da sua pedreira de Pardelhas; também é atribuído ao senhor João do Sal um donativo de 500$00 (quinhentos escudos), o que na época era uma quantia elevada.

Tiveram como primeiro Presidente Armando Cunha Vieira de Castro, seguindo-se-lhe o António Neves Correia Gomes, Albino Teixeira Castro Guimarães, Miguel Aguiar e Manuel Gonçalves (“Nelo Chapeleiro”).
De acordo com testemunhos relatados por alguns fundadores, antes da formação do Grupo Nun’Álvares, o padre Domingos tentou levar os “rapazes” para a LOC (Liga Operária Católica) e como não acolheu aderências para essa intenção, quis formar um núcleo de escuteiros, mas também sem sucesso.

Alguns dos primeiros Nun’Alvaristas (na Sede, ex-Residência Paroquial), junto à Igreja Matriz Da esquerda para a direita: João Moreira, Miguel Aguiar, Leopoldo Santos, Manuel Gue-des, Albino Guimarães, Augusto Lopes, António Gomes (Pastilhas), Hugo Neto, “Sineta”, Félix Lopes, Diamantino Lucas, Armando Noval e Francisco Aguiar.

Alguns dos primeiros Nun’Alvaristas (na Sede, ex-Residência Paroquial), junto à Igreja Matriz
Da esquerda para a direita: João Moreira, Miguel Aguiar, Leopoldo Santos, Manuel Gue-des, Albino Guimarães, Augusto Lopes, António Gomes (Pastilhas), Hugo Neto, “Sineta”, Félix Lopes, Diamantino Lucas, Armando Noval e Francisco Aguiar.

 Uma sala anexa à Igreja Matriz serviu como primeira sede social do Grupo. Depois, com a restauração da Matriz e a construção do salão paroquial, este serviu de sede social e, também, como espaço para o de-senvolvimento de algumas actividades, sobretudo teatro.
O dinheiro para a construção deste salão resultou de peditórios feitos e, conforme o que foi relatado por fundadores, teve o precioso contributo dos Nun’Alvaristas na angariação de fundos através de peditórios e cantando os “Reis” e da família Summa-vielle que forneceu a pedra da sua pedreira de Par-delhas; também é atribuído ao senhor João do Sal um donativo de 500$00 (quinhentos escudos), o que na época era uma quantia elevada.
As actividades desenvolvidas em primeira instância eram actividades religiosas, mas com o tempo, o teatro mereceu uma atenção muito especial, pois muitos dos elementos do Grupo tinham grande ape-tência para as artes de Moliére. Era uma actividade que originava receitas e possibilitava sonhar com novos empreendimentos.

Quem ensaiava a “rapaziada” era o padre Domingos que, segundo Félix Lopes, era muito entendido e competente: “foi a coisa melhor que vi na minha vida como en-saiador”.
As peças em cena, eram geralmente cómicas pois tornavam-se mais apelativas e atractivas quer para os actores, quer para o público.
Durante alguns anos e pelo que há de registo, as actividades do Nun’Álvares não foram além do que atrás fica mencionado. Infelizmente não há qualquer registo de actas ou qualquer outro documento que comprovem o que foi o Grupo durante os primeiros anos de existência. Os únicos registos são testemunhos de alguns dos “rapazes” que em 1932 estiveram na génese do Nun’Álvares.

Durante cerca de uma década o Grupo funcionou com normalidade, mas por alturas de 1939, ter-se-á iniciado um período inactivo. Não se conhecem com exactidão as razões que levaram à inoperacionalidade do Nun’Álvares, mas depoimentos colhidos junto dos responsáveis por aquilo que foi denominado como “refundação” do Nun’Álvares, a estagnação teve a ver com o início da segunda guerra mundial e, consequentemente com as múltiplas preocupações que lhe estiveram subjacentes.

reuniaoMas … apesar desse “afastamento” o ideal Nun’Alvarista estava arreigado em muitos jovens que foram crescendo e estabilizando a vida; por outro lado, as preocupações na formação da juventude e a necessidade de lhe proporcionar uma ocupação dos tempos livres, interessando-os por práticas culturais e recreativas, pela partilha de opiniões e pela solidariedade, não desapareceram e haveriam de ressurgir num futuro não muito longínquo.

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